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O Brasil entra em cena na telenovela
um véu de noiva no automobilismo brasileiro

Mauro Alencar          

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Mauro Alencar é Mestre em Telenovela pela Universidade de São Paulo, Professor de Teledramaturgia e Consultor e Pesquisador de Telenovelas para a Rede Globo. Contato através do tel (21) 2540-2101 / fax (11) 5051-0829 / e-mail: malencar@unisys.com.br
foto: Eduardo França

Há 30 anos a Rede Globo iniciava o processo de modernização, industrialização e nacionalização da telenovela brasileira.

Depois de correr a década de 60 com dramalhões ambientados no México, Veneza ou no deserto de Saara, sob o domínio da cubana Glória Magadan, a direção da TV Globo constatou que era chegada a hora da mudança. Mostrar o Brasil na TV. No lugar da espanhola Rosa Rebelde vivida por Glória Menezes ao lado de Tarcísio Meira, aparecia na telinha a história da jovem Andréia (Regina Duarte) às voltas com Marcelo Monserrat (Cláudio Marzo), um corredor de automóvel.

A publicidade já anunciava o novo fato: "Em Véu de Noiva tudo acontece como na vida real. A novela verdade". A corrida de automóveis servia como cenário, numa época em que Emerson Fittipaldi despontava para a Fórmula 1. Regina Duarte, que vinha da novela Os Estranhos (TV Excelsior), também ganhava publicidade especial: "Só mesmo Andréia traria Regina Duarte para a Globo".

Vivíamos o final de 1969 e a novela Véu de Noiva, de Janete Clair, com direção de Daniel Filho, foi um grande sucesso. Exibida às oito horas da noite, teria início aí a clássica pergunta "Quem matou?". No caso, tratava-se de saber "Quem matou Luciano (Geraldo Del Rey), noivo de Andréia, mas apaixonado por Flor (Myrian Pérsia), irmã da protagonista. O elenco era formado, ainda, por Glauce Rocha, José Augusto Branco, Cláudio Cavalcanti, Betty Faria, Gilberto Martinho, Neuza Amaral, Ênio Santos e Ida Gomes, entre outros.

O avanço da produção da TV Globo também atingia a

trilha sonora, marcada e até hoje cultuada por seu tema principal: Teletema (Tema de amor), uma composição de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, cantada por Regininha. Os versos da música bem que poderiam ser uma declaração de amor de Andréia a seu amado corredor! Um grande sucesso.

Azimuth (Mil milhas – Tema de Marcelo), interpretado pelo Conjunto Apolo IV; Irene (Tema da personagem vivida por Betty Faria), cantada por Elis Regina; e Abertura, uma composição de Guilherme Dias Gomes, foram alguns destaques do disco da marca Philips, que veiculava as trilhas sonoras das novelas da TV Globo. Pois a SIGLA – Sistema Globo de Gravações Áudio-Visuais – estava nascendo e, com ela, a marca Som Livre, criada especialmente para divulgar a trilha sonora dos programas da Globo.

Era a primeira de uma série de mudanças que começavam a ocorrer. Mudanças de uma emissora pioneira em querer produzir um altíssimo "padrão de qualidade", até então pouco – ou quase nada! – visto na televisão brasileira; buscando o melhor no universo da comunicação. E as novelas da Globo começavam a retratar o Brasil por estradas até então desconhecidas. E assim viramos a década, "rumo estrada turva/ só despedida/ por entre lenços brancos de partida... Rompendo laços, abraços, beijos..."