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paulo_duarte_1.jpg (31153 bytes)Perfil de um Roteirista

Alô gente. Meu nome é Paulo Duarte, sou roteirista de tv e atualmente escrevo os programas "Zorra Total", a "Turma do Didi" e colaboro também com "O Belo e as Feras". Na televisão acho que já escrevi, só na Globo, pelo menos uns quinze programas diferentes. Desde os humorísticos, como "Viva o Gordo" e "Sai de Baixo", até os mais dramáticos, como "Caso Verdade", que eram umas novelinhas de cinco capítulos, e que fez muita gente chorar na década de 80, e algumas "Terças Nobre". Este último tinha um formato bem interessante, onde apresentava histórias belíssimas contadas em um único capítulo e que, não sei porque, acabou.

Mas ainda não cheguei onde eu quero. O meu projeto, quando eu for um pouco mais organizado, é escrever novelas. Eu falo isso porque o novelista tem que ficar ralando o peito pelo menos umas doze horas por dia na frente do computador, e só uma pessoa muitíssimo bem organizada, perfil onde definitivamente eu não me encaixo, consegue tal proeza.

Pra começar, eu sou um cinéfilo voraz, um telespectador voraz, um internauta voraz e um boêmio mais que voraz. Adoro uma mesa de bar com os amigos, pra jogar conversa fora e observar o comportamento das pessoas. E, pra piorar, só consigo escrever à noite. É comum eu ver, através das persianas, o dia teimando em amanhecer lá fora. Aliás, não me recordo quando esse meu nada saudável hábito começou. Acho que foi quando ouvi alguém dizer que, à noite, as idéias pintam com mais facilidade. A maior parte das pessoas dorme e o ar fica menos congestionado com as chamadas ondas de pensamentos. Bem, eu não sei se acredito muito nesta teoria, mas acho que têm dado algum resultado. Mas esse luxo, obviamente, tem suas desvantagens. O notívago, como eu, perde muita coisa que só se pode fazer durante o dia, como ir à praia, por exemplo. Quando eu acordo, lá pelas quatro da tarde, o sol já está se despedindo da galera, e, depois de pegar uma boa chuveirada e tomar um café da manhã reforçado, só me resta encarar uma caminhada no calçadão, com os prédios da Atlântica me castigando com suas malditas sombras. Quando eu viajo, as pessoas olham para a minha cor desbotada, e ninguém acredita que eu moro no Rio de Janeiro e tão perto da praia.

Mas escrever, no entanto, não era o meu propósito quando desembarquei no Rio, há mais de vinte anos, vindo de Tapes, uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul. O meu grande sonho era ser ator. Tudo o que eu queria na vida era brilhar nas capas de Contigo e Amiga, ser invejado pelos homens, adorado pelas mulheres, e, principalmente, não precisar pagar contas nos restaurantes. Mas felizmente eu caí na real a tempo, percebi que jamais passaria de um atorzinho de quinta categoria, e mudei de rumo.

O milagre aconteceu no dia em que li, apaixonado, um roteiro que o Manoel Carlos fez para o cinema. Fiquei encantado, fascinado, babando mesmo. Naquele momento eu senti, definitivamente, que o meu barato não era atuar, e sim escrever. Ser roteirista passou a ser uma obsessão, e parti com tudo rumo ao meu novo objetivo. E, como já falei, estou nisso faz um bocado de tempo. Bom, é claro que isso não significa que ter que enfrentar, diariamente, a famigerada página em branco, seja mais excitante do que representar. Pelo contrário. Apenas acho, com a maior franqueza que para escrever, é preciso ter bem menos coragem que para atuar.

paulo_duarte_2.jpg (27595 bytes)Escrever é fácil. Basta ter boas idéias (é claro que nem sempre isso é possível), se plantar na frente do computador, acabar com tudo que tiver na geladeira, brigar com a mulher, filhos, cachorro, e sair escrevendo. Representar... bem, aí o buraco é bem mais em baixo. O ator, além do talento, precisa também ter o peito de se despir de muitas coisas, as vezes até das roupas, e definitivamente isso não se encaixa com o meu perfil, digamos, conservador arretado. Mas quando eu falo "ter talento", não quero dizer que todo o ator tenha. Infelizmente. Aliás, para nós, autores, não existe nada pior do que ver uma cena, escrita com tanto cuidado, sendo mal representada por um ator ruim. Dá vontade de matar o sujeito. E não há nada mais prazeroso do que ver uma cena sendo feita conforme a imaginamos. É claro que, com isso, o autor fica de olho no bom ator e, sempre que possível, o indica para este ou aquele trabalho.

Portanto, atores, fiquem antenados, porque nós, mais que ninguém, estamos ligadíssimos nas suas performances.

Acho que isso é tudo. A vida do roteirista não é lá muito glamourosa, não tem muito o que contar. Mas se alguém quiser fazer alguma pergunta, é só passar um e-mail que eu respondo com o maior prazer. Meu endereço é: prsduarte@uol.com.br.

Um beijo para todos.

Paulo Duarte