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Conversa com Letícia Medella

Letícia Medella tem só 16 anos. Com essa idade já participou, em papéis importantes, de diversas peças de teatro. Teve a oportunidade de conquistar renome nacional com um papel de destaque no elenco de uma novela da Globo, e soube aproveitá-la. Menina simples e afetuosa, transmite determinação de avançar em sua carreira, e mostra saber o caminho. Para ela, desejamos sucesso!
Entrevistada por Adriana Mello

leticia_medella_2.jpg (22187 bytes)Desde pequena, eu era apaixonada por teatro, minha mãe, meu pai, minha avó, toda minha família sempre me levou a peças de teatro, ao cinema, ballet no municipal, concertos de música clássica e shows de música popular, sempre tive essa carga de cultura desde pequena.

Comecei a fazer ballet quando pequena, jazz, sapateado. Ballet eu comecei com 4, 5 anos, jazz eu fiz um ano só, um pouco depois, e sapateado comecei com uns 6, 7 anos e estou fazendo até hoje, cheguei a dar aulas de sapateado. Aula de canto eu fiz desde uns 9, 10 anos, fiz uns 5 anos de aula de canto. Tive aulas de piano, até me apresentei, quando era pequena, hoje não me lembro de mais nada. Enfim, sempre estive no palco, sempre estive ligada à arte.

E aí surgiu de repente a paixão pelo teatro, através do sapateado. Foi o seguinte, a primeira peça que eu fiz foi "Tip e Tap, Ratos de Sapato", infantil, escrita pelo Vinícius Marques, direção do Ronaldo Tasso, no papel da Tip. A coreógrafa Valéria Pinheiro, coreógrafa do espetáculo, falou: "Sapatear eu sei que você sapateia, e cantar, você canta?" Falei "Canto". "E representar, você representa?" Falei, "Olha, nunca representei na minha vida". Ela falou "Então você faz o seguinte, você vai ensaiar, vai fazer um teste, e vai tentar fazer a peça". Eu falei "OK" e entrei.

A partir daí eu não parei mais, fiz "Gasparzinho", fiz "Reino Azul", fiz "Bailei na Curva", já como profissional, eram peças em cartaz. Comecei fazendo o "Tip e Tap", era uma peça tradicional que estava já há uns 2 anos em cartaz. Foi uma loucura, porque foi a minha primeira vez no palco, tinha que saber como era o tom de voz, como era o gestual, tinha que ser tudo grande. No primeiro dia fiquei tão preocupada que eu falei aos berros, o diretor falou "não, agora um pouco menos!", sabe, assim fui me acostumando com o palco.

leticia_e_ju.jpg (19889 bytes)Eu ensaiei pouco tempo, mas foi o melhor curso da minha vida, a partir daí comecei a fazer aula de teatro, fiz com o João Batista, fiz com o Gustavo Gasparani, montei Bailei na Curva com o Gustavo Gasparani e depois não quis mais sair, me acostumei com o palco, fiquei apaixonada.

Fiz a minha primeira peça para adultos, que foi "Francisco de Assis", musical do Ciro Barcellos, tive que aprender a peça em 2 dias, eu já tinha assistido bastante à peça mas nunca tinha feito, e eles me avisaram 2 dias antes da minha estréia, como eu tive que substituir uma atriz.

No papel de Santa Clara, então foi uma loucura, mas foi uma delícia. Li livros, vi vídeos, tudo para a peça e para a minha vida também, porque eu me identifiquei muito com a peça. Quando eu fiz o papel da Santa Clara, comecei a ler sobre ela porque me apaixonei pelos seus ideais.

Um dia falei, "bom, vou levar um currículo lá para a Globo"; coloquei meu currículo lá, deixei uma foto, eles estavam querendo pessoas novas, estavam fazendo recadastramento, queriam conhecer atores novos. Então eles me chamaram para fazer um teste de vídeo e deixar no arquivo; fiz o teste de vídeo. Tremia muito, a minha perna não parava de tremer, mas até que me saí bem para quem nunca tinha feito nada em vídeo, até que consegui me soltar um pouco.

leticia_medella.jpg (22205 bytes)Depois desse teste, muito tempo depois, fui chamada para fazer um teste para um papel, que acabei não fazendo. Mas com esse teste eles passaram a me conhecer melhor, acharam que eu estava com um visual que combinava com um papel em "Caça Talentos", então eu nem fiz teste, eles me chamaram para uma participação especial, que era a Til, uma menina toda revoltada, com piercing, com tatuagem, cabelo verde, falava "praia não, eu gosto de acampar em usina nuclear", era toda rebelde, maluca.

Depois desse personagem fui chamada para o teste para a Joca de "Meu Bem Querer" e passei direto. De repente me vi numa sala com todos os artistas que eu via na televisão a minha infância inteira, Osmar Prado, José Mayer, Heloísa Mafalda, comecei a babar vendo a Arlete Salles, vendo todo mundo à minha volta. Pensava "gente eu estou aqui no meio, numa reunião, numa mesa enorme onde de repente aparece o Daniel Filho, o Marcos Paulo", fiquei babando, enlouquecida.

Ralei muito porque o teatro é bem diferente da televisão, a técnica é outra, eu tive que diminuir tudo que eu fazia no teatro. Tive que diminuir a voz, os gestuais, a expressão, tudo muda. Então foram os melhores cursos que eu fiz, as peças de teatro e a novela, eu aprendi literalmente com a vida, fui empurrada para a vida artística, e nem por isso deixo de aprender, porque acho que ainda estou começando, tenho muito que aprender, que ainda não sei nada.

Vou fazer faculdade de teatro, fazer vestibular para a Uni-Rio para me aprofundar, vou fazer um curso de música na Uni-Rio também, continuar fazendo aula de sapateado, acho que um ator tem que saber dançar, tem que saber cantar, representar, tem que saber tudo. Acho que o ator aos poucos tem que aprender até a se maquiar. Assim, para qualquer papel que me chamarem, eu estou pronta.

Tem que estar sempre aprendendo, o Osmar Prado me falou que ele não deixa de aprender em nenhum momento, ele faz aula de circo, faz aula de canto. Uma vez ele foi chamado para fazer uma peça, e teve que fazer um teste de canto. O maestro falou "não dá para colocar o Osmar, o Osmar não canta, vai ficar horrível", o outro respondeu "não, mas ele é bom ator, o Osmar é maravilhoso, é o Osmar Prado". E o maestro: "mas ele não canta". Então o Osmar falou "ele tem razão, eu não canto". E foi fazer aula de canto, hoje em dia ele sabe qualquer coisa, dá uma partitura para ele, ele canta muito.

É isso que eu acho que todo ator que quer mesmo, que tem paixão pela profissão, deve fazer, estar sempre aprendendo, sempre ouvindo opiniões, estar sempre aberto a novas experiências, a sugestões, nunca achar que está bom o bastante, que está perfeito, porque nunca está. O que eu fiz foi aprender com a vida, aprender fazendo direto e agora quero continuar aprendendo mais a técnica.

Minhas irmãs também são artistas, as duas são atrizes, as duas dançam, as duas cantam, estão também se aprofundando, fazendo cursos para aprender cada vez mais, estão na mesma que eu.