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O Teatro Que Vai à Escola

por Daniel Dias da Silva

DANIEL DIAS DA SILVA - ator e autor teatral, formado pelo Curso de Arte Dramática (CAD) da Universidade Federal do Ceará e  Colégio de Dramaturgia do Instituto Dragão do Mar (CE). Escreveu "A Terra á Azul" e "Eu Sou Mais 500", peças montadas no Projeto O Teatro Vai à Escola, além de "Oropa, França e Bahia" (1994/1995), dirigida por Nehle Francke e posteriormente adaptada para a TV pelo próprio autor, sob a direção de Gláuber Filho (1999). Seus mais recentes trabalhos são, como ator, no longa-metragem "Eu Não Conhecia Tururu", de Florinda Bolkan (ainda inédito) e, como Assistente de Direção, da peça "Raul Fora da Lei", dirigida por José Joffily, com Roberto Bomtempo, com textos de Raul Seixas.

e-mail: verdesmares@hotmail.com

1º ATO - Um conhecido e respeitado ator e produtor de teatro, inconformado com a ausência dos jovens nas platéias de seus espetáculos, por maior que fosse a divulgação e os incentivos oferecidos, resolve investir em um projeto que (re)aproxime o teatro do público adolescente, levando espetáculos de qualidade a escolas de todo o país.

2º ATO - "A Comédia de Todo Mundo", primeira peça do projeto, viaja por alguns estados do país, levando textos de Martins Pena, Maquiavel, Aristófanes e Tchecov. No palco, o ator sola na pele dos personagens, contracena com bonecos e com o público, dando, assim, mais vigor às risíveis situações ali apresentadas, mostrando aos jovens como funciona um teatro e provando que os adolescentes gostam de teatro, sim!

3º ATO - Cinco anos depois, o projeto "O Teatro Vai à Escola" é um grande sucesso, tendo feito cerca de 150 mil espectadores com uma única peça, um número capaz de fazer inveja a muitos espetáculos do circuito comercial. E, a julgar pelas críticas, está longe de fechar as cortinas.

A história narrada acima está longe de ser uma ficção e pode ser comprovada diariamente em alguma escola pelo país afora. Com a agenda lotada pelos próximos quatro meses, a trupe de Tadeu Aguiar, autor da idéia, chega a fazer três espetáculos por dia! O ator não se incomoda com o fato de estar fora do circuito comercial ou de não ser visto com freqüência na tela da televisão, pois, segundo ele, "não há prazer maior do que saber que estou formando o público de teatro do futuro".

De fato, com o tempo (certamente incentivados pela castração ideológica promovida pela ditadura), muitos colégios foram deixando de lado atividades culturais, como teatro e música, assim como disciplinas que pudessem incentivar o raciocínio crítico dos jovens e, consequentemente, colocá-los em risco, dando, dessa forma, ênfase nas matérias tradicionais. Teatro na escola, passou a ser sinônimo de teatro infantil - e, mesmo assim, nem sempre bem realizado. Dessa forma, o público envelheceu (para muitos, ele se elitizou) e criou-se uma imensa lacuna entre o público infantil e o público adulto.

O sucesso de peças como "Confissões de Adolescente", de Maria Mariana e de montagens como "Os Três Mosqueteiros" mostram que o público jovem anda sedento por espetáculos direcionados a ele! Uma das preocupações do projeto de Tadeu Aguiar é criar o hábito neste público. Com apenas uma peça, ele poderia ficar anos viajando, pois não faltaria Brasil para ele se apresentar. "No entanto - diz Tadeu - é enriquecedor voltar no ano seguinte com um novo espetáculo e reencontrar os mesmos alunos, os mesmos rostos e saber, por exemplo, que, inspirados no nosso projeto, os alunos e a escola, formaram um grupo de teatro para discutir temas ligados a sua região e a sua realidade."

Tadeu guarda alguns trunfos. Entre eles está a produção caprichada, que não deixa nada a dever aos espetáculos tradicionais. Aliás, não raras vezes, suas peças são apresentadas em teatros de verdade, como aconteceu em 1998, com a peça "A Terra é Azul", que teve quase 1.000 espectadores em uma única sessão, em Ribeirão Preto, estado de São Paulo. À escola, cabe apenas ceder o espaço (que pode ser uma sala de aula ampla ou um ginásio de esportes) e intermediar a venda de ingressos (existe, claro, a possibilidade dela comprar o espetáculo). A produção se encarrega do transporte e montagem de cenário e equipamentos, que incluem, sistema de som e vídeo, iluminação e tudo o mais. Atualmente, Tadeu viaja com o apoio do Circuito Cultural Banco do Brasil com a peça "Eu Sou Mais 500" - que tive o prazer de escrever especialmente para este projeto -, ao lado do jovem ator Eduardo Bakr.

A proposta, desta vez, era falar sobre os 500 anos do Brasil, mas a partir de uma abordagem diferente da que vem sendo dada. Na peça, Pedro (Eduardo Bakr) não é o navegante português, mas um adolescente como outro qualquer, como tantos que conhecemos, um tanto quanto relapso, às voltas com notas baixas, problemas na escola, castigos, colegas e garotas, sem vocação para coisa nenhuma. Até que ele toma contato com um programa de computador e conhece Vasco (Tadeu Aguiar), um ser cibernético capaz de antecipar o futuro de todas as pessoas. Juntos, ele vão descobrir que o futuro do país, a história de todos nós, depende de pequenos gestos, aparentemente insignificantes, mas que podem provocar reações positivas na vida de cada um de nós. Dessa forma, Pedro acaba definindo os próximos 500 anos do Brasil e, como fez Cabral um dia, redescobrindo este país, desconhecido para muitos.

A escola oferece entretenimento aos seus alunos e ainda tem a oportunidade de, a partir do que foi visto na peça, discutir diversos temas, tais como cidadania, história, atualidades, etc. Como o personagem da peça, Tadeu Aguiar vê mais adiante e faz a sua parte, contribuindo para a formação de uma platéia mais próxima do teatro, composta por jovens mais conscientes e, por conseguinte, construindo um futuro melhor para o país. Um exemplo a ser conferido e seguido.

Serviço: "Eu Sou Mais 500", peça de Daniel Dias da Silva, com Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr. Participações especiais em multimídia: Natália Thimberg, Isabel Guerón, Silvia Massari e Marcos Hummel. Para saber mais sobre o projeto "O Teatro Vai à Escola", acesse a página da Internet: www.mvirtual.com.br/tadeu