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Amor e Sexo na Televisão

Luiz Carlos Maciel

Regina Navarro Lins é uma das colunistas mais interessantes, originais e importantes na imprensa brasileira de hoje. Ela chegou a essa posição, não só porque é inteligente, culta e escreve bem, mas, antes de mais nada, por causa de seu tema fundamental e da maneira como o trata. Regina discute amor e sexo de uma maneira inteiramente franca. Esta postura é surpreendente em nossos tempos atuais.

Nos tempos antigos, nos anos sessenta, a postura libertária era bastante comum, virou até moda. Era difícil saber quem era mais avançado do que os outros, em matéria de relações afetivas e vida sexual, todo mundo era candidato ao primeiro lugar. Depois, os tempos mudaram. Uma feitiçaria que permanece na sombra bloqueou a maré libertária e promoveu uma volta solerte aos valores convencionais. Houve, sem dúvida, um retrocesso.

Atribuiu-se a culpa à AIDS, doença na qual alguns extremistas chegaram a apontar um castigo de Deus aos excessos permissivos dos anos 60. Acusada de ser a responsável por tão terrível doença, a revolução sexual guardou suas armas. A moral sexual tradicional reivindicou novamente sua posição dominante. E um pensamento aberto, lúcido, avançado, sobre a questão, como o de Regina Navarro Lins, passou novamente a ser exceção.

O trabalho surpreendente de Regina é o de levar esse pensamento, fundamentado em sua experiência de vinte e cinco anos como psicanalista e sexóloga, para os meios de comunicação de massa.

Durante dois anos (1996-98), ela apresentou um programa diário sobre Amor e Sexo na Rádio Cidade, do Rio de Janeiro. Tornou-se colunista do Jornal do Brasil, onde assina, aos domingos, a Conversa na Varanda, no caderno Vida. Já lançou dois livros, A Cama na Varanda e Na Cabeceira da Cama, pela editora Rocco. Agora ela prepara um programa de televisão, a ser lançado em breve num canal a cabo.

Regina não pretende ressuscitar a revolução sexual dos 60, um experiência encerrada que é apenas um dos supostos de seu novo trabalho. Nas novas condições do fim deste século, Regina não pede das pessoas atitudes revolucionárias, mas apenas bom senso. Ela não quer subverter valores, mas simplesmente que as pessoas vivam de modo legal.

Essa nova atitude pode ser verificada nos temas específicos de Regina. Enquanto os alvos dos revolucionários dos sessenta eram a repressão e a moral sexual institucionalizadas, Regina prefere, hoje, colocar em questão a sua expressão concreta no mito do amor romântico, no casamento monogâmico e compulsivo, nas contradições da vida a dois e outras vivências comuns a seus leitores. Sua crítica do amor romântico, como uma superestrutura emocional construída culturalmente para legitimar o casamento convencional, é particularmente importante.

Conheci Regina quando ela me entrevistou para a sua coluna no JB, e ficamos imediatamente amigos. Ela me convidou para ser o roteirista de seu programa de televisão e eu me senti, não só honrado, mas principalmente entusiasmado com a possibilidade de abrir esse novo espaço para a discussão do assunto.

O fortalecimento dos valores tradicionais não evitou que os problemas de relacionamento afetivo e realização sexual continuassem a infligir sofrimentos desnecessários a tanta gente. Esses problemas continuam a ser geradores de neurose. Contudo, por outro lado, a mudança de condições, nestes últimos trinta anos, é inegável. E Regina está correta em achar que, apesar das tradições, as condições estão maduras para que as pessoas possam assumir com tranqüilidade uma nova maneira de viver.

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