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Os Meus Balões

Entrevistas: Adriana Mello e Juliana Nogueira

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BeC: Qual foi a sua inspiração para juntar Santos Dumont e Júlio Verne?

Karen Acioly: A idéia inicial era fazer uma peça só sobre Santos Dumont.

Aí, lendo sobre a vida dele, vi que ele era um super leitor de Júlio Verne e achei muito justo eles se encontrarem porque são dois visionários, são duas pessoas com sonhos, com grandes sonhos de realizar o impossível; são almas gêmeas.

Por isso chamei os gêmeos Leonardo e Guilherme para fazerem esses dois personagens.

Acredito que tenha sido o caminho certo porque a peça ficou redondinha que nem um balão!

A pesquisa foi feita toda junta. A gente leva a fonte da pesquisa, vê vídeo junto, estuda junto e depois vai montando. O que não dá certo a gente refaz. Tudo vai sendo recriado.

Muita coisa foi jogada fora, muito personagem saiu, muitos personagens entraram nos quarenta e cinco do segundo tempo, porque você vai vendo que a peça vai se ajeitando e tem horas que algumas coisas ficam excessivas e outras faltam.

Então o processo foi esse, eu escrevo para esses atores sobre o palco, essa que é a grande diferença do processo do trabalho da gente.

BeC: Como as crianças captam?

Karen: Eu acho que as crianças captam com os seis sentidos delas.

O texto pode ser entendido plenamente por crianças de várias idades só que por sensações diferentes.

As crianças menores ficam muito emocionadas com a música, muito envolvidas com o visual e as mais velhas já elaboram as coisas de um jeito diferente. Eu acredito nos seis sentidos das crianças.

 

BeC: Como foi montar o personagem de Santos Dumont para você?

Leonardo Miranda: Nós pensamos em como fazer uma ópera para crianças, uma opereta infantil, mas estamos observando que tem muita gente de mais idade gostando da peça também.

Nós quisemos desenvolver tudo, teatro total, tocar, dançar, cantar e atuar.

Fazer o Santos Dumont está sendo muito bom; é brincar com o imaginário das crianças. Elas ficam quietinhas, super atentas.

É um espetáculo sem violência, brigas, Pokemon. As crianças saem meio baqueadas.

Tem também uma coisa melancólica na peça.

É legal porque cada pessoa vê uma coisa. Os adultos lembram da infância, das imagens dos balões...

A reação é muito boa.

 

BeC: Conta como foi a montagem da peça.

Guilherme Miranda: Nós ensaiamos uns dois meses direto, todo dia. Tínhamos um prazo para estrear, tinha que levantar tudo rápido. Mas o bom é que temos uma equipe bem entrosada, a maioria dos atores veio da peça anterior "A excêntrica família Silva", então já nos conhecíamos e foi mais fácil de levantar a peça. Nós não sabíamos qual seria a reação da platéia, mas foi ótima, as crianças ficam bem quietas, prestando atenção.

A peça foi sendo escrita de acordo com os ensaios; ela não existia antes deles, foi sendo construída. As músicas também. Até na véspera da estréia teve uma música nova.

Isso é muito legal.

A gente ia improvisando, a Karen ia escrevendo, o Roberto compondo...

Eu li quase todos os livros do Júlio Verne, ele era um cientista, mais que um escritor. Ele antecipou muita coisa, por isso a Karen pensou em juntar os dois, porque eram dois visionários.

É engraçado porque muitas crianças e adultos não sabem quem foi Júlio Verne. Eles vão acompanhando aventura, essa é a idéia.

 

Brasil em Cena: Fale um pouco sobre seus personagens na peça.

Camila Cappute: O primeiro personagem eu faço a mais nova irmã de Santos Dumont que é a Xica. Ela briga muito com ele porque ele insiste em dizer que o homem voa e ela diz que não, que o homem não voa, e aí ela estraga a brincadeira e Santos Dumont não aceita isso.

O segundo personagem que eu faço é uma dama de Paris, que seria a amante de Paris, apaixonada, e que Santos Dumont vai para lá, para a cidade de Paris, então, na verdade o personagem é um acessório.

Tem uma hora que eu fico no piano, como uma aeronauta, só cantando.

O terceiro personagem, que eu acho que é o que as crianças mais gostam é a Demoiselle, que na verdade é um avião. Ela não existiu enquanto mulher, a Karen faz uma analogia. A Demoiselle é uma aparição, é uma namorada do Santos Dumont.

Ele fazia muitos vôos, participava de muitos concursos e o último avião que ele fez foi o Demoiselle, que era o avião de passeio dele, ele descansava das competições, e achava que agora estava bem acompanhado, com o seu amor que era o Demoiselle, que era um avião mais leve, de passeio, no qual ele ia visitar os amigos, e aí eu canto e danço a Demoiselle.

 

BeC: Você já participou de várias montagens com a Karen Acioly, como está sendo agora com "Os Balões"?

Flávio Bauraqui Ba: Eu já estou com a Karen há quase quatro anos.

Eu fiz "Festa no Céu", "Iluminando a História" – que faço até hoje – "Garoto Noel", "A excêntrica família Silva", e estou fazendo esta agora.

É um enorme prazer trabalhar com a Karen, com esse elenco super afinado. Estou curtindo muito os meus personagens.

Eu adoro a Ba! A Ba é o meu xodó. A história é legal porque mostra também a importância dos mecânicos, aquelas pessoas que começaram e tentaram de diversas formas essa aventura de voar.

Acho que a peça é leve e leva as pessoas para um vôo imaginário e é isso o que eu mais curto neste trabalho.